Currículo sem Fronteiras

Revista para uma educação crítica e emancipatória.

Atenção: Currículo sem Fronteiras recebe, até 30 de agosto de 2019, artigos na seção organizada em parceria com a Associação Brasileira de Currículo para publicação no terceiro número de 2019. O tema da seção é “A pesquisa curricular na virada cultural conservadora: desafios, impacto e luta política”. IMPORTANTE: os textos para essa seção devem ser submetidos na seção apropriada (Associação Brasileira de Currículo 2019 - ABdC 2019) e não na seção "artigos".

CHAMADA – Seção Temática ABdC 2019

ORGANIZADORAS: ALEXANDRA GARCIA (UERJ) E ÉRIKA VIRGÍLIO RODRIGUES DA CUNHA (UFMT)

Em um contexto em que a pauta do conservadorismo serve como premissa e justificativa para ações políticas e sociais, que não raramente vem provocando questionamentos sobre as práticas docentes e quanto aos currículos, os debates no campo das pesquisas em currículo não podem abdicar de considerar tanto esse contexto quanto os efeitos dessa onda conservadora. Diversos e dificilmente possíveis de sumarizar (ou de conhecer) são os sentidos de currículo produzidos por diferentes tradições, desde que se tornou plausível falar em um campo de estudos nesta área. Essa é uma dificuldade relativa à condição híbrida do currículo, a aposta numa pluralidade de registros teóricos com variados compromissos políticos. Assim, sem a garantia de uma história intelectual verticalizada, como nos adverte Pinar (2007), as pesquisas no campo, mais recentemente, têm questionado ficções de verdade que tentam estabilizar interpretações de currículo, hegemonizar o que significa educar e justificar processos de centralização e controle. Boa parte das pesquisas se dedica a lidar com essa questão voltando-se às singularidades dos contextos educativos, outras se detêm sobre as políticas, enquanto parte não menos significativa se interessa pelo escopo teórico desta discussão. Por estas diferentes vias, a compreensão comum acerca das conexões entre currículo e cultura permite pensar currículo como uma prática cultural imbricada por relações de toda ordem, ao mesmo tempo em que chama a atenção para o papel que a centralidade da cultura exerce nos processos de regulação social. No cenário atual mundial e, especialmente, no brasileiro, torna-se mister trazer do rico repertório das pesquisas do campo elementos para compreensão e debate dessa articulação. A virada cultural conservadora articulada ao neoliberalismo em sua forma mais aguda, confronta-nos a partir de uma aliança que tem acirrado a defesa de universalismo(s) baseado(s) em crenças (religiosas, morais, étnicas, biologicistas, sexistas, de classe etc.) e interesses diversos. Sob o mote da padronização alimentada por lógicas de mercado das gramáticas contemporâneas do capitalismo, a ideia de comum torna-se esvaziada, operando como argumento implícito do controle e das investidas por tentar silenciar as singularidades e diferenças nos e dos currículos. Escola sem Partido, Home schooling, militarização das escolas públicas, dentre outros movimentos, Projetos de Lei e derrubadas de direitos, ganham força em meio a promoção da desconfiança sobre a capacidade de socialização e de formação da escola, ao mesmo tempo em que dela se cobra a garantia de uma cultura comum alheia à diferença.

Esta seção temática se mobiliza pela defesa da educação em todos os níveis e modalidades de ensino, o que nos impõe dilatar a compreensão de seu caráter público, plural, necessariamente democrático, chamando a atenção para as pautas produzidas pelas pesquisas em currículo nas últimas décadas. Gerando oportunidade de criar espaço à politização deste cenário, a seção temática buscará enfrentar o tema reunindo pesquisas de diferentes filiações teóricas e abordagens metodológicas que se dedicam a investigar os desafios para o campo, assim como impactos de mudanças em curso e lutas políticas empreendidas. Fazer circular as pesquisas no campo curricular é, também, lidar com o obscurantismo na ciência, na liberdade acadêmica, na Educação e mesmo na vida. Neste sentido, serão aceitas discussões na forma de artigos com resultados de pesquisa, ensaios teóricos, investigações sobre currículo, sobre políticas de currículo e em torno de experiências em escolas e em universidades.


Esse é o sítio para submissão e avaliação dos artigos da revista Currículo sem Fronteiras. Os artigos da revista estão disponíveis, com acesso livre, no sítio http://www.curriculosemfronteiras.org