Políticas Editoriais

Foco e Escopo

Manifesto

Revista para uma educação crítica e emancipatória

A sociedade contemporânea desperta para o início do novo milénio mergulhada num conjunto de desafios extremamente complexos, sobretudo se ponderarmos as assimetrias sociais e económicas que se vão multiplicando perante o requinte das estratégias impostas pelas dinâmicas do capitalismo, nas quais se espraiam os mecanismos e as políticas que fundamentam a globalização. Todavia, a esmagadora maioria dos países que contribui para a consubstanciação deste projecto social, encontra-se excluída dos benefícios deste processo hegemónico. De entre esses países, embora em diferentes níveis de inclusão/exclusão, encontram-se Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tome e Príncipe e Timor-Lorosae, que expressam no conjunto uma determinada unidade na diversidade. Apesar de possuírem identidades muito próprias, acreditamos na possibilidade dessas distintas realidades constituírem um campo político, que lhes permita, não só a construção de acções, como também o desenvolvimento de dinâmicas que, no seu todo, participem de um amplo movimento político contra-hegemónico, que se oponha às políticas sociais impostas pela estratégia neoliberal e conservadora. Esta unidade é possível porque a diversidade aí existente está alicerçada num passado comum que se interpenetra - tal como expressa a vontade histórica dos seus povos vertida na literatura, na música, na pintura, na escultura e em outras manifestações culturais.

Esta revista pretende ser um exemplo dessas acções, tentando, numa perspectiva crítica, analisar as políticas sociais, em geral, e educativas, em particular, que têm vindo a ser implementadas nestes países, dando ainda visibilidade ao trabalho que, não obstante as profundas dificuldades, vai sendo estoicamente desempenhado. Ademais, pretende buscar práticas dialógicas enriquecidas pelas distintas realidades, estabelecendo um debate descomplexado, tanto ao nível dos fundamentos ideológicos, económicos, culturais e religiosos, quanto ao nível das dinâmicas de classe, raça e género que determinam a construção da tessitura social vigente, retratando e refletindo ainda sobre a condição pós-colonial em que todos se encontram.

O campo do currículo assume uma preponderância incontornável dado que nele se atravessam quer as problemáticas inerentes às políticas sociais relacionadas com a educação, quer as reformas, inovações e reestruturações verificadas nos sistemas educativos, quer, ainda, as dinâmicas relacionadas com a legitimidade do conhecimento veiculado. Nesta conformidade, a discussão em torno do campo do currículo, não só convida ao uso de várias áreas do conhecimento - sociologia, psicologia, filosofia, estudos culturais, antropologia -, como implica que o debate se registe tanto na sua vertente teórica, quanto na sua componente prática.

O espraiar de fundamentos que anteriormente apresentamos, aliado ao escopo do próprio projecto permite-nos conferir à Revista o título "Currículo Sem Fronteiras", emprestando-lhe um subtítulo "Revista para uma educação crítica e emancipatória". A Revista sobre currículo que hoje nasce, é assim um projecto político profundamente comprometido com as experiências progressistas levadas a cabo em cada um desses países. Pretende ser um espaço construído com e para os educadores e educadoras de língua portuguesa que se identificam com as perspectivas emancipatórias e críticas de justiça e igualdade social.

Álvaro Moreira Hypolito
João Paraskeva
Luís Armando Gandin

 

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